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A VIDA É MUITO CURTA PRA BEBER UM SÓ TIPO DE CERVEJA 29 de Maio/2016



Quer iniciar um passeio pelo universo das cervejas “especiais/artesanais” e tá meio perdido, sem saber por onde começar?

 “Se aperreie” não, amigo(a). Entendo perfeitamente o que você está sentindo.

De uma hora pra outra a gente começa a se deparar com tanta opção que, na maioria das vezes, não sabe o que fazer. Arrisco até afirmar que o primeiro reflexo é comprar uma ou outra marca por conta do apelo estético do rótulo ou pelo formato bacana da garrafa. E é neste momento que uma escolha aparentemente ingênua pode fazer você mergulhar de cabeça ou sair correndo e nunca mais querer saber dessas “cervejas diferentes”.

 "Unidunetê"... 

Obviamente, não existe receita pra “aprender a gostar” das cervas artesanais. O paladar de cada um pode reagir de maneira única em relação a diversos alimentos. Com cerveja não seria diferente.

Ainda assim, fiz um pequeno resumo, mesmo que de maneira prematura e a partir de experiências e constatações próprias (você não precisa concordar, ok?), sobre alguns dos muitos caminhos possíveis pra quem está com vontade de entender e aproveitar a crescente cultura cervejeira.

Pra início de conversa, alguns pontos precisam ser ressaltados:

- O conceito de cerveja “especial/artesanal” não é “frescura”. Na maioria das vezes, estamos falando de micros ou pequenas cervejarias, que produzem suas receitas numa escala infinitamente menor que as cervejarias de massa, com uma preocupação extrema relacionada à qualidade /procedência dos ingredientes, e que buscam resultados com sabor e identidade únicos. Outra forma, mais “grosseira”, de tentar explicar: você certamente entende a diferença entre um prato feito com o macarrão e o molho pronto mais baratos do supermercado e um mesmo prato, com massa e molho frescos, criados a partir da receita secular que somente sua avó conhece. Com cerveja é mais ou menos a mesma coisa.

Produção de cerva caseira: cevada, lúpulo, água, e levedura... Uma síntese bem roots da cerveja artesanal  

- A ideia de beber cerveja estupidamente gelada (canela de pedreiro, do * da foca, empoeirada etc) funciona muito por conta do clima quente que temos aqui. Refresca? É óbvio! Mas a mesma temperatuda congelante, que resfria nosso juízo, também anestesia nossa língua. Resultado: o sabor “verdadeiro” da cerveja será quase imperceptível. E se não dá pra perceber o sabor, fica muito mais difícil distinguir o que é feito a partir de matérias-primas de qualidade.

Liberte a foca que você mantém em cativeiro no congelador da sua casa.

- Se seu objetivo é beber dez litros de cerveja e depois chamar o “Raul” toda vez que senta numa mesa de bar, caia fora. Sua preocupação é com quantidade e não com qualidade. As cervejas sobre as quais estou falando possuem muito mais sabor. A ideia é beber e aproveitar cada gole. Não é à toa que um dos lemas da cultura cervejeira é “Beba menos. Beba melhor.”

Decidiu dar o primeiro passo? Sugiro que vá sem pressa. Na minha opinião de zigoto cervejeiro, os tópicos abaixo talvez possam te ajudar de alguma maneira:

Acredito que o ponto de partida é não ter preconceito. Na “galácta”cervejeira, existem opções mais leves, mais encorpadas, mais amargas, mais alcoólicas, mais doces, mais frutadas, mais ácidas, mais licorosas, mais temperadas… haja adjetivo! Certamente você vai se identificar com um (ou mais de um) estilo.

Não aconselho ninguém a começar por estilos mais “extremos”, a exemplo das Double IPAs (bastante amargas e alcóolicas se comparadas com as cervejas “de massa”) ou com as Stouts “Imperiais”(com maltes torrados, que muitas vezes lembram café ou chocolate amargo e que possuem, na sua maioria, teor alcoólico entre 8 e 12%). Os sabores são muito fortes. Certamente, você vai estranhar, desistir do assunto e voltar a beber a mesma cerveja de sempre.

Exemplos de Double IPAs (na parte superior) e Imperial Stouts (adivinha onde...) 

Se você já gosta de cerveja e tem uma marca popular preferida (Skol, Brahma, Schin, Antarctica etc) sugiro subir um “degrau de cada vez”. Tente experimentar, juntamente com sua marca preferida, outras cervejas de estilo similar, também facilmente encontradas no supermercado, mas que são preparadas com ingredientes de melhor qualidade (Eisenbahn Pilsen, Heinenken e Serra Malte Extra, por exemplo). Compare a cor, o sabor, o aroma… certamente você vai notar as diferenças.

A próxima fase seria conhecer algumas cervejas da escola alemã. Os estilos Pilsen (com um amargor acima da media) e Weizen (cervas de trigo, claras e escuras) são clássicos e vão te ajudar a ampliar um pouco mais seu paladar.

1795 e Praga (Pilsens de verdade). Paulaner e Schneider Weisse (dois copos de trigo para tr...).

Começou a ficar mais interessado e os estilos acima já não são novidade? Tente agora as inglesas, do estilo bitter (maltadas e com um amargor interessante). Arrisque também as Blond Ales Belgas, um pouco mais complexas.

ESB (extra special bitter - Inglaterra) e Leffe Blonde (Bégica)

Quer passar pro nível “hard”? Vá sem medo no amargor das IPAS (as inglesas tendem a ser mais “comportadas” e as americanas são bem mais “danadas”). Teste também as Belgas dos estilos Dubbel e Trippel (mais encorpadas e alcoólicas). Daqui pra frente, teoricamente, você já estará morrendo de vontade de aprofundar seus experimentos com os tantos outros estilos existentes.

IPAs da escola inglesa e da escola americana na parte superior. Belgas Dubbel e Trippel na parte inferior.

Gosta muito de café ou chocolate amargo? Experimente algumas do estilo Stout ou Porter. Elas são produzidas com maltes bastante torrados e muitas vezes levam café e/ou chocolate amargo na receita. Tenho certeza que você vai achar interessante.

Chocolate e café em forma de cerveja.

Se você não gosta de cerveja, mas curte os espumantes/proseccos/lambruscos ou até mesmo “Ice/keep-cooler/similares”, tente as Fruit Biers (cervejas um pouco mais ácidas e carbonatadas que levam frutas vermelhas na receita e, geralmente, são um pouco mais adocicadas) ou até mesmo as Witbiers, um estilo belga de cervejas de trigo, muito leve, refrescante e condimentado (geralmente leva cascas de laranja e sementes de coentro na receita). Pode dar certo.

Cerveja com frutas vermelhas ou cerveja de trigo com especiarias? Vá testando...

Seja curioso. Busque informações em livros, sites, blogs, visite lojas especializadas etc.

Estudar cerveja? Por que não?

Gostou?

Então vá em frente! Teste, descubra uma maneira, trace seu caminho, compartilhe suas experiências (inclusive as ruins) e, por fim: se não aguentar, beba leite! 

Saúde a todos e até já!

 



Comentários

Rodrigo Conceicao Guimaraes - 30/05/2016

Muito interessante o asdunto gostaria de receber mais informacoes no Facebook sobre cervejaria e seus produtos..

Olá, Rodrigo! Obrigado pelo interesse. A ideia aqui não é vender produtos, mas compartilhar informações e opiniões sobre a cultura cervejeira. Acompanhe e compartilhe as novidades do cervanossadecadadia pelos perfis do instagram, do facebook e por aqui também. Você é mais do que bem-vindo. Saúde!

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